blábláblá

Abril 23, 2009 - Leave a Response

Ando de saco cheio desse blog. Mas deve ser pela minha conjuntura de proximidade do aniversário e fim de mês (ou porque eu não sei ter blogs por muito tempo). Ando chorando do nada que nem uma mocinha (cadê a novidade?) ao mesmo tempo que entro em momentos de transe poético por qualquer coisinha. Muito típico do fim de Abril. Vou dar tempo ao tempo e ver se volto com algumas novidades, afinal eu gosto desse blog (mas eu gostava de todos os outros que eu apaguei).

Primeiro de Maio tá chegando, AÊ! Quero me livrar disso logo, com amigos, bolo e um vestido fofo de preferência.
(É como disseram muito bem eu sou uma patricinha disfarçada de cult.)

Diz que fui por aí

Abril 19, 2009 - Leave a Response

Ando sem escrever poesia, mas ainda escrevendo. Tem todo um novo acontecendo e não acontecendo e dentro dessa perspectiva estranha onde eu vivo um esboço do que ainda se há pra viver as palavras apresentam-se tímidas e preciso as instigar. Mas como me recuso a tirar poesia das coisas, ela fica flutuando nos meus olhos mesmo. E é bom, me acalma e me aquece.

A verdade é que vivo um grande passeio agora, sem um trajeto planejado e um final previsto. E quando tento espiar o que vem, tropeço e caio feio. Mas se me atenho ao passeio é tudo reconfortante e colorido (como preciso agora). Então é esse tempo sem finalidade, sem propósito – como é de fato é a vida -que eu vivo. Esboçando meu salto sem certeza de onde ele vai dar.

PS: Eu ia postar um vídeo com a música “Os meninos dançam” do Caetano, mas só achei um muito tosco, então encontrem um jeito de ouvir por conta própria :B

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02/04/09

Abril 8, 2009 - Leave a Response

São as águas de Março fechando o verão

Cai uma chuva enorme e vou indo pelo meu inconveniente, mas às vezes agradável, caminho até a geohistória. Tenho um guarda-chuva para me proteger então caminho lentamente enquanto o Rio de Janeiro se esconde entre as águas e neblinas.
É um caminho conhecido, mas sempre parece novo, inconscientemente retorno a ele, compondo minha sinfonia. É esse caminho sem tempestades, sem paixões, com muitas indagações, muitas incertezas, algum tédio, algum medo e é brando, sem desesperos e altos contrastes. É um caminho em que estou em mim. Sempre volto a mim, mas dessa vez quero ficar, quero esse sossego de vagar em um mesmo campo conhecido sem desequilíbrios e exageros. Isso é novo, essa maneira de colorir o tédio, de saborear a mesmice (que nunca é a mesma), de admirar a rotina. Eu quero ficar, gosto de mim nessa versão, escondida dos extremos inacessíveis e insensatos.
Pela primeira vez, gosto de caminhar assim, protegida, ciente de cada passo. Eu quero ficar, gosto de mim e essa sou eu. Eu e meus fones de ouvido, meus livros, os pedacinhos, coisas que amei, loucuras em que me perdi…
É bom caber em mim. Não que não falte nada, mas pode-se alcançar a plenitude na ausência. Quero que o tradutor de silêncios apareça, mas não precisa ser agora, agora preciso do sossego e não do coração acelerado. No entanto, se ele aparecer sendo mais do que minha imaginação esboça e me dê a mão e torne o sossego e o caminho mais agradáveis, eu vou sorrir e ter mais afeto e menos tédio. Talvez, ele nunca apareça, não importa, ele pode existir apenas na minha imaginação, até os mais céticos precisam ter fé em algo.

20/03/09

Março 22, 2009 - One Response

Um show é inútil. Uma música é inútil. Momentos são inúteis. Viver é inútil. Constatar essa inutilidade é libertador.

A todo o momento os homens, movidos por necessidades impalpáveis, promovem os mais belos e efêmeros espetáculos. Todos se findam. E os momentos nos iludem, tocam nossas almas com a força da eternidade enquanto discretamente se esvaecem. Sou faminta por momentos, sempre busco me saciar com suas perfeições. Me alimento de bobeiras.

Momentos são só horas transvertidas de beleza. Nada é mais inútil que a beleza.

Tudo se deteriora. Movimentos involuntários. Tudo se transforma.

Shows deixam marcas. Livros mudam pessoas. Pessoas mudam o mundo. O passar das horas. Nada se conserva.

The beat goes round and round

Me dissolvo a cada dia na leveza do ser.

LSD?

Março 14, 2009 - 2 Responses

ou vômito de pensamentos disléxicos?

Eu sou reprimida.
Descobri isso. O mundo já sabia disso, eu não. Porque, afinal de contas, me considero bem resolvida. É difícil alguém ferir meu orgulho, sei dos meus defeitos e das minhas qualidades. Sei quem eu sou.
Mas demorei pra perceber que saber é diferente de ser. “É, você fala baixo como uma moça comportada”. “Você é sensata”. “A Taís é tímida”. Ah, é? Não, não sou isso. Eu sou o monte de coisa para mim, e só pra mim mesmo. Corto o caminho entre pensar e agir. Acho que faz parte de não achar as pessoas tão interessante, de guardar os pedaços meus especialmente pra mim… Não é à toa que sou essa desorganização de peças bastante incoerente aos olhos dos outros. Não que eu me importe com coerência. Mas também não acho mais graça em não ser compreendida, em ser mal interpretada. Na verdade é isso, o que eu queria era isso: Ser interpretada. Seria maravilhoso alguém me olhar tanto, mais tanto, que desvendasse todos os mistérios e organizasse todas as peças. Mas não existe essa pessoa. Aliás, talvez eu devesse ser essa pessoa. Mas é tão divertido esperar garotos problemáticos, extraordinariamente inteligentes, envolventes e malvados.
Ou não.
Esperar, esperar…E no final sempre me cansam, mesmo quando encontro. Sempre sabendo o que não deseja, mas não o que deseja. Romantismo empata a vida. Platonismo é coisa de quem tem medo, vive a vida superficialmente – sempre com uma máscara a espreita. Talvez seja a hora de abandonar a insatisfação crônica.
Eu não sou o que sou. E nem sei aonde isso começou.
Desafios são bons porque te fazem agir, e definem quem você é.
Mas qual é o desafio?

No ritmo repetitivo dos dias não o encontro.

Vejam Vicky Cristina Barcelona,ok?Beijos!

Vejam Vicky Cristina Barcelona,ok?Beijos!

solidão

Março 10, 2009 - One Response

Hoje é um bom dia para assistir à Amélie Poulain. Demorei bastante para compreender Amélie, não entendia como alguém podia ser tão sozinha e tão leve, com sonhos coloridos e altruístas.
Gosto da solidão, me interesso por mim mesma – muitas vezes mais do que pelas pessoas ao meu redor. E preciso desfrutar de pequenos prazeres pessoais que somente sozinha se realizam por completo, como a leitura, a própria escrita, me emocionar com músicas, etc. No entanto, é frustrante como tão freqüentemente a solidão me acerta em fisgadas no peito. Eu vejo rostos felizes, pessoas efusivas, copos de cerveja, música, alegria e nada em mim responde a isso. E fica um gosto de não vivido, uma falta, um silêncio que diz tantas coisas…
Mas não há olhar algum que vele pelos meus silêncios.
Daí vem dores tão conhecidas, os pseudo-estigmas, nó na garganta… E parece que é pra sempre.
Eu preciso das cores de Amélie para acreditar, sonhar que ainda há alguém capaz de traduzir silêncios e os preencher com abraços.

Sobre corações, alegria e degustação.

Março 1, 2009 - Leave a Response

em homenagem à Mariana e pessoas sorridentes.

Eu não era uma pessoa muito “desencanada”, andava sempre preocupada com o futuro e alternando tédio com desespero, tinha dificuldade para aplicar o ‘carpe diem’ na minha rotina. A boa notícia é que eu não sou mais assim. A má é que eu não tenho a fórmula para alcançar isso, caso você também sofra de neuroses e tensões constantes.

Tenho lá meus palpites. Talvez seja preciso arranjar amigos que não usam relógio e gostam de ir à praia e sair pra dançar. Também é bom estudar em um lugar bonito, melhor ainda é morar no Rio de Janeiro. Ouvir mutantes em uma tarde de domingo, descobrir as cores do seu país, passear mais, pensar que se você for pobre pelo menos tem boas histórias universitárias pra contar, tomar sorvete e principalmente enxergar além do óbvio. Emoldurar momentos no seu coração.

Provavelmente é por isso que eu gosto tanto do we heart it (site inútil e bonitinho), porque quando eu clico em ‘my heart’ e vejo várias imagens bonitas, penso que é exatamente assim que é meu coração – uma galeria de lembranças, sentimentos e pessoas que adotei. Eu tenho andado descompromissada pela minha vida, degustando cada pedaço de beleza para depois as emoldurar. Mas se eu tenho tanta alegria e cor, devo as pessoas sorridentes como Mariana.

Acho que é mesmo preciso um pouco de ingenuidade para estar sempre bêbado e não sentir o fardo horrível do tempo como Baudelaire nos aconselha

Feeling good

Fevereiro 25, 2009 - Leave a Response

Eu me sinto bem pra caralho.

Ok, famílias não são perfeitas, minha vida amorosa é uma tragicomédia, eu queria emagrecer, faltam duas semanas pras férias acabarem , sofro de insatisfação crônica, moro numa cidade absurdamente enfadonha, na TPM meus instintos depressivos e agressivos se aguçam, não sei o que quero fazer profissionalmente da vida, e por aí vai…A lista continua, mas não importa, eu me sinto bem pra caralho.

Meu carnaval não foi dos melhores (eu tenho todo um histórico com carnavais, que rende um bom texto pra depois), meus hormônios contribuíram para que me sentisse triste e solitária (logo, em um momento que a solidão me parecia tão agradável), minhas amigas estavam espalhadas por aí e mais uma série de outras coisinhas não tão pequenas que contribuíram para o meu humor indócil. Mas antes disso tudo, eu saí, fui pra Lapa e sem querer acompanhei um bloco. Foi divertido, espontâneo, contagiante e principalmente sem grandes dramas ou acontecimentos. Essa noite simples valeu meu carnaval, e por isso eu me sinto bem pra caralho.

Eu posso ficar sonhando antes de dormir com histórias que nunca serão reais, mas não importa, vou acordar e um novo dia com variadas possibilidades vai se apresentar. E eu vou escolher me sentir bem pra caralho.

Pode ser um pensamento bastante hippie, perigosamente ingênuo e é fatalmente uma fuga, no entanto, eu me sinto bem pra caralho, e isso também é um fato.

Fico aqui no meu quartinho, mentindo, cantarolando com Caetano e até que as palavras não sejam realmente outras palavras, as forjo e me sinto bem pra caralho.

 

Caetano me disse isso:

“cérebro máquina palavras sentidos corações
hiperestesia Buarque voilá tu sais de cor
tinjo-me romântico mas sou vadio
                                                computador

Só que sofri tanto que grita porém daqui pra

                                                    a frente:

Outras palavras”

 

e isso:

 

“Ser feliz

o melhor lugar é ser feliz

o melhor é ser feliz

mas

onde estou

não importa tanto aonde vou

o melhor é ter amor”

 

e “A Insustentável Leveza do Ser” me disse (entre tantas outras coisas) isso:

“- Missão, Tereza, é uma palavra idiota. Eu não tenho missão. E é um alívio imenso perceber que somos livres, que não temos missão.”