Eu me sinto bem pra caralho.
Ok, famílias não são perfeitas, minha vida amorosa é uma tragicomédia, eu queria emagrecer, faltam duas semanas pras férias acabarem , sofro de insatisfação crônica, moro numa cidade absurdamente enfadonha, na TPM meus instintos depressivos e agressivos se aguçam, não sei o que quero fazer profissionalmente da vida, e por aí vai…A lista continua, mas não importa, eu me sinto bem pra caralho.
Meu carnaval não foi dos melhores (eu tenho todo um histórico com carnavais, que rende um bom texto pra depois), meus hormônios contribuíram para que me sentisse triste e solitária (logo, em um momento que a solidão me parecia tão agradável), minhas amigas estavam espalhadas por aí e mais uma série de outras coisinhas não tão pequenas que contribuíram para o meu humor indócil. Mas antes disso tudo, eu saí, fui pra Lapa e sem querer acompanhei um bloco. Foi divertido, espontâneo, contagiante e principalmente sem grandes dramas ou acontecimentos. Essa noite simples valeu meu carnaval, e por isso eu me sinto bem pra caralho.
Eu posso ficar sonhando antes de dormir com histórias que nunca serão reais, mas não importa, vou acordar e um novo dia com variadas possibilidades vai se apresentar. E eu vou escolher me sentir bem pra caralho.
Pode ser um pensamento bastante hippie, perigosamente ingênuo e é fatalmente uma fuga, no entanto, eu me sinto bem pra caralho, e isso também é um fato.
Fico aqui no meu quartinho, mentindo, cantarolando com Caetano e até que as palavras não sejam realmente outras palavras, as forjo e me sinto bem pra caralho.
Caetano me disse isso:
“cérebro máquina palavras sentidos corações
hiperestesia Buarque voilá tu sais de cor
tinjo-me romântico mas sou vadio
computador
Só que sofri tanto que grita porém daqui pra
a frente:
Outras palavras”
e isso:
“Ser feliz
o melhor lugar é ser feliz
o melhor é ser feliz
mas
onde estou
não importa tanto aonde vou
o melhor é ter amor”
e “A Insustentável Leveza do Ser” me disse (entre tantas outras coisas) isso:
“- Missão, Tereza, é uma palavra idiota. Eu não tenho missão. E é um alívio imenso perceber que somos livres, que não temos missão.”